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Bombons sem muita culpa

Fui a duas inaugurações e ganhei, em ambas, caixas de chocolate como brinde. Resisti à primeira. Sucumbi à segunda. Os motivos eram nobres e compreensíveis: a caixa, tentadora, estava repleta de bombons embrulhados em papel dourado e soterrados sob grãos de café, linda.

 

O cheiro era apetitoso, inconfundível. Já ao abrir, me imaginei com o gostinho de chocolate, macio, derretendo sobre a língua. Comi o primeiro, o segundo, o terceiro... Quando vi, estava abrindo o último deles, sem pensar. Uma delícia! Mas a satisfação, claro, logo foi substituída pelo meu velho conhecido: um imenso sentimento de culpa que, ainda bem, hoje em dia não é tão grande assim – um triunfo desses últimos anos, meus `anos magros´.

 

Suavidade consigo mesma
Descobrir uma maneira mais leve de lidar com os momentos de entrega foi uma das grandes conquistas que me ajudaram a ter um corpo em forma. Habituei-me a afastar essa sensação de erro, de inadequação relacionada à comida. Sentir culpa é válido quando se agride alguém, no momento em que se maltrata uma criança ou um animal. Ou à medida que não se corresponde às próprias expectativas e então a pessoa a sofrer por não encontrar justificativas para o fracasso. Mas não dá para viver se recriminando à mesa, sob pena de não sair de um circulo vicioso e continuar comendo para se recompensar das frustrações.

 

Desde que afinei, aprendi que em vez de cair num turbilhão de sentimentos confusos a cada vez que me entregar ao prazer da comida, devo nos dias seguintes moderar o apetite. Também não deixo as calorias ingeridas estacionarem no corpo – na seqüência do deslize, me dedico mais aos exercícios aeróbicos. Parece fácil, mas garanto que é bastante penoso para quem, no passado, consumia os bombons da primeira caixa e no dia seguinte devorava outra inteirinha! Tive de aprender a ter uma disciplina profunda. E ela, inevitavelmente, às vezes falha diante das tentações do mundo.

 

Para quem planeja entrar de cabeça na chamada reeducação alimentar e já imagina a vida como uma batalha interminável, sem mais nenhuma alegria apetitosa, o recado está dado: a mudança de hábitos não se faz apenas à mesa. Ela atinge todos os aspectos da sua vida e permite que se possa, sim, ceder de vez em quando sem que isso signifique voltar a engordar.

 

O dia-a-dia é o que conta
Sair do rigor da dieta é possível desde que você saiba compensar e continue, sempre, priorizando itens saudáveis. Incluir na sua rotina práticas recomendáveis, como a atividade física, também é fundamental. Quando essa `reeducação global´ funciona para valer, você consegue, sim, domar as compulsões e conta com o imenso conforto de saber que pode desviar da estrada por um momento para retomá-la, com alegria, no dia seguinte.

 

Quando permanecemos longe de ataques vorazes à geladeira e à despensa, assumimos o controle do próprio apetite e ficamos tão fortalecidas que a vida se torna muito mais fácil. Por isso, mesmo quando for impossível resistir a caixas de bombons, ovos de Páscoa, panetones e feijoada no fim de semana, pense que logo você compensará os desvios retomando os saudáveis hábitos recém-adquiridos. Que – ainda bem! – não precisam excluir definitivamente a delícia de degustar um bombom!

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