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Comer menos e viver mais

Durante milênios, a humanidade intercalou períodos de escassez e fartura. Se pensarmos que a agricultura é uma prática não muito antiga na história do planeta, podemos compreender que nunca foi fácil garantir a subsistência.

Pelo contrário: alimentar-se devia ser uma batalha absurda. Com o tempo, surgiram meios de se armazenar melhor as boas safras e a cultivar com método. De qualquer modo, os homens e as mulheres de outrora não conheceram a reposição imediata da comida e, talvez por isso, faziam grandes oferendas aos deuses para agradecer quando tinham a chance de esbaldar-se em suas comilanças.

Isso não significava que a fome não pudesse voltar, e muitas vezes ocorreram longos períodos de estiagem, plantios e de "vacas magras”. Quem sabe (essa teoria é minha) esses antigos ciclos de fome não incutiram na memória da humanidade a necessidade atávica de comer além do que se deve? Quem sabe se a gula não é um procedimento registrado há milênios no DNA da raça humana?

 

Obesidade precoce

Há algumas décadas, no tempo de nossos bisavós, as pessoas achavam que se empanturrar de comida era um sinal inequívoco de prosperidade, felicidade e prazer. Nos banquetes romanos, comia-se até provocar vômitos. Na França clássica do rei Luiz XVI, as receitas eram tão gordurosas que poucos de seus súditos ultrapassavam os 50 anos de vida, devido a complicações precoces de saúde.

Hoje, sabemos que comer em excesso não é nada saudável. Mesmo assim, a obesidade atinge escalas crescentes pelo mundo afora, levando a Organização Mundial de Saúde a alertar sobre os procedimentos errados da alimentação moderna: excesso de carboidratos, gordura animal e açúcar.

Nunca nos Estados Unidos, por exemplo, houve uma geração de pessoas tão gordas. Na Europa, em países como Itália ou Rússia, também sobe assustadoramente a taxa de obesidade na população. E aqui no Brasil, onde miséria e fome de alguns convivem com a abundância alimentar de outros?

O problema é sério e pouco considerado pelas autoridades. Comece a observar quantas pessoas fora de forma você encontra nas ruas. Observe também que o "fast-food” virou refeição. Existem adolescentes que acham "o máximo” se alimentar exclusivamente de hambúrgueres, fritas e refrigerantes.

 

Fatores Culturais

Com exceção de certas cidades litorâneas (Rio, Salvador e Florianópolis, entre outras poucas) onde a maioria da população procura cuidar do corpo, os brasileiros em geral seguem no mesmo caminho dos americanos: adolescentes gordos, adultos com problemas circulatórios e idosos diabéticos.

Imagino que a principal causa desses fenômenos seja o hábito, adquirido não de hoje, de comer mal e demais. Note como raros eventos ou encontros sociais oferecem alimentos pouco calóricos, saudáveis e leves.

Sem contar que estamos no auge da cultura do churrasco: todas as comemorações em grupo acabam na base da picanha, cerveja e farofa. Sem levar em conta que as pessoas adoçam demais o café, os sucos e bebidas.

 

Garantia de longevidade

Seria tão bom se uma parcela, pelo menos, entendesse que comer pouco é garantia de longevidade. Isso não quer dizer passar fome, beliscar bobagens ou viver em dieta radical. Bastaria apenas que cada um comesse com moderação, deixasse menos sobras e evitasse alimentos pesados. Nenhum gordo vive muito: é um dado científico.

Em contrapartida, quem se mantém no peso adequado, busca saúde na alimentação e faz exercícios físicos regulares (nem que seja caminhar), poderá seguramente viver muito. Basta adquirir consciência do que come.

O mal não está apenas naquilo que sai da boca de cada um, mas principalmente naquilo que entra na boca de cada um. Moderação é, portanto, a palavra-chave para se chegar a uma velhice prolongada.

 

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"As informações oferecidas por este site não são individualizadas, portanto não substituem o acompanhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de educação física."