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Como fugir da compulsão

Todo mundo tem seus pecados inconfessáveis. Por exemplo, quem nunca experimentou um ataque de gula desses horripilantes, que a gente gostaria de apagar da memória? Tenho uma amiga que uma vez se empanturrou de pingos de chocolate com leite condensado. Foi até a padaria, comprou um pacote e devorou como se nunca mais fosse comer coisa igual na vida. Obviamente passou mal e não quis mais ver a guloseima pela frente.

Fato parecido aconteceu com outro amigo, famoso por sinal. Tinha passado dois meses em abstinência de picanha para perder uns quilos. Pensava que comer apenas 100 g por dia era uma maldade, só dava para aguçar o apetite. Por isso achou melhor se afastar dos prazeres da carne de vez. Na semana em que o médico decretou o fim da dieta e o início da manutenção, ele não se conteve: contratou logo o melhor churrasqueiro e comeu como um tigre. Não só matou a saudade da picanha como se deliciou com lingüiças, maminhas, cupins e afins. Amargou o dia seguinte com uma azia de fazer queimar até a escova de dente.

A terceira história que me vem à mente é de uma leitora que tem compulsões temáticas. Se a vontade é de pão, come todos os tipos de croissants, bisnagas e torradas. Com mel, manteiga, requeijão, queijo, geléia e doce de leite. Sem ao menos conhecer aquela minha amiga dos pingos de chocolate, ela, no fundo, nutria a esperança de que, comendo bastante, ficaria enjoada a ponto de não querer mais encostar em nada que tivesse a ver com o ´tema´ em questão – nesse caso, farinha. Mas o efeito desejado durava apenas dois ou três dias.

 

Driblando a fera
Quando o desejo é por quantidade, é muito difícil agir como um exemplar cidadão francês, que dá meia dúzia de garfadas e fica satisfeito. Nós, brasileiros, gostamos de exuberância até na hora de comer. Não importa a descendência, temos um passado com caldeirões de feijoada, festas com macarronadas, samba ao redor da grelha, casamentos festejados com bois sobre a fogueira.

Nessas ocasiões, só nos resta deixar o instinto vir à tona. Devore a comida, mas só o que for saudável. Nada de açúcar refinado, que só gera mais necessidade de doces. Vá de pães integrais, grãos, carnes temperadas com ervas e legumes, frutas cozidas, banana com canela, uva passa com iogurte e aveia – o que preferir. Sinta o seu corpo recebendo vitaminas, minerais, fibras...

Aos poucos, você passa a ter compulsões com menor freqüência, porque nutrir o organismo é almejar mais saúde. O próximo passo é vencer a desconfiança com que vê os itens que aparecem na dieta (como se eles não pudessem ser deliciosos) e passar a enxergá-los como de fato são: em geral saborosos, sim, e amigos de um corpo magro e são.

Total de Commentários 1

  • Rachel 04/02/2009

    comecei uma reeducação alimentar em novembro de 2007, perdi 12 kg e estou muito feliz com o corpo que conquistei. Me alimento da maneira mais saudavel possivel: como de 3 em 3h, pão e arroz integral, leite desnatado... mas, as vezes me pego comendo compulsivamente e o pior, sem nenhum motivo. Uma vez comi escodido uma panela de arroz e só serviu para ficar com a barriga inchada e a consciencia pesada.
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