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Dores e alegrias

Não gosto de começar um artigo com algum assunto que evoque tristeza, mas hoje abro uma exceção. É que não há nada pior do que ver alguém que a gente gosta sofrendo. E o que me deixa indignada é que certas pessoas se recusam a pedir ajuda. Que mal há em procurar um amigo para dividir os problemas quando o fardo está pesado demais? Amigos são exatamente para estas coisas: ouvir, compartilhar, ajudar e até dar uns safanões quando for preciso.

Tenho uma amiga que está sofrendo de anorexia nervosa. Esse problema, assim como a bulimia, aparece com freqüência cada vez maior na mídia, especialmente quando atinge pessoas famosas. Quem viu há algum tempo a magreza excessiva da filha da rainha Sílvia, da Suécia, com certeza ficou comovido. Anoréxica, ela se recusava a comer e ainda se achava gorda, mesmo sendo pele e ossos. Esse transtorno faz as pessoas ingerirem quantidades enormes de comida e depois se purgarem, provocando o vômito, usando laxantes ou fazendo jejuns.

Esses distúrbios, segundo os especialistas, têm fatores biológicos que podem ter sido deflagrados por algum trauma ou período de estresse. Mas geralmente estão ligados à busca incessante pela perfeição. O pior não é a pressão que a sociedade exerce, mas a que nós nos impomos. É natural do buscar a perfeição. Também exagero de vez em quando, mas às vezes é preciso abdicar de certos ideais e pedir ajuda, porque ninguém é de ferro. Ninguém consegue suportar tudo sozinho.

Às vezes, também, nem notamos nosso estado, como é comum acontecer com quem sofre de anorexia. A pessoa acha que, se sumir, ninguém vai se importar. É até egoísmo, na minha opinião. E como ficam as pessoas que nos querem bem ou dependem de nós? Como bem disse Leonardo da Vinci, "Às vezes, nada há que nos engane mais do que nossa opinião". Atualmente, a correria a que nos submetemos acaba proporcionando uma falta de afetividade entre as pessoas. É por isso que leva tempo até que alguém perceba que o outro está em dificuldades.

A essa minha amiga, que provavelmente está lendo esse artigo, e a todos que estão sofrendo em segredo, aí vai a minha bronca: nunca deixe de pedir socorro. Se não por amor próprio, pelo menos em consideração aos que te amam e querem te ver feliz. Muito feliz.

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"As informações oferecidas por este site não são individualizadas, portanto não substituem o acompanhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de educação física."