Hora da decisão
Todos nós nascemos com certos dotes, como a facilidade para aprender música ou uma personalidade marcante. Outros talentos, nós só conseguimos adquirir ao longo da vida, com muito esforço. A coragem é um deles. Ninguém chega ao mundo totalmente desprovido de medo, o que seria uma temeridade.
Olhar torto para fatos novos e seres mais fortes que nós é uma arma a favor da sobrevivência. Esconder o rabo entre as pernas, portanto, não é uma arma a favor da sobrevivência. Esconder o rabo entre as pernas, portanto, não é motivo para ter vergonha. O que se deve combater é a tendência que às vezes temos de fugir dos problemas por causa dessa reação.
Ou, o que é pior, sair correndo e acreditar piamente que a atitude não teve nada a ver com medo. É a velha prática de varrer a sujeira para baixo do tapete. A pessoa esconde aquilo que é feio ou complicado demais para resolver, achando que a sala pode ficar limpa do mesmo jeito, o que nunca acontece.
Uma das mentiras que contamos a nós mesmos é da correnteza. "Deixar que o destino se encarregue” é uma desculpa perfeita para expor a falta de coragem para enfrentar o que é preciso. Até soa bem falar essas coisas, combina com as filosofias orientais que pregam a tolerância e a paciência.
Entre a qualidade de ser zen e a falta de iniciativa, no entanto, existe um oceano. Certas realidades não podem mesmo ser alteradas porque fazem parte da natureza. O que é muito diferente de interferir na vida de alguém que esteja cometendo uma besteira, por exemplo. Ou reconhecer e lutar contra um defeito que está emperrando a nossa vida.
A conseqüência de "deixar para lá” ou adiar o enfrentamento de um problema é sempre a mesma: ele volta quando a gente menos espera e com maior intensidade. O poço vai ficando cada vez mais fundo e fica mais difícil encontrar água.
Você já não sentiu um incômodo em determinada situação que não soube explicar? Uma sensação estranha ao falar com alguém, um aperto no peito sem motivo, uma ira incontrolável e ao mesmo tempo sem nenhuma razão? Tudo que é mal resolvido acaba ficando mais difícil de ser decifrado.
Já quando você sabe exatamente o que está causando mal-estar, é melhor não deixar de mergulhar na questão. Pode ser desconfortável pisar na lama, tocar a poeira com as mãos. Pode até ser doloroso, pois exige que reviremos os armários, as coisas do passado e as memórias desagradáveis.
Mas vale a pena. Juro que vale. Além de evitar problemas futuros, você estará exercitando sua coragem, qualidade que nos leva a iniciar a trilha rumo a nossos sonhos e projetos