Muito se aprende com o passar do tempo
Sentir-se solitário em meio à multidão parece ser um dos males das cidades modernas e populosas. Viver rodeada de milhões, sabe-se, não preenche a necessidade primitiva de afetividade, que é, aliás, biológica e não apenas emocional. Até para confirmar esta minha tese nada científica, há, e todos sabem, doenças psicossomáticas que desorganizam nosso corpo e nossa alma.
Ai! Ai! Comecei tão séria hoje que até eu acabei sendo tomada por uma nostalgia, um sentimento... sei lá! Tristeza embutida, aquela que todos têm, em um momento e outro da vida. Mas, na verdade, comecei a escrever ainda sob o efeito de uma boa surpresa, daquelas que nos fazem ter mais vontade de prolongar a vida em boa forma, de ver crescerem netos, de estar em contato com as gerações futuras para ver o que ainda nos trarão de alegrias.
Pode até ser que a surpresa não toque a vocês como tocou a mim, mas quero compartilhar com todos o que senti ao encontrar o pai de meu namorado, acessando o computador e divertindo-se em navegar na internet.
Fui visitá-lo: ele não conhece hardware nem software, mas guarda ainda nos dedos a habilidade de escrever à máquina que teve na adolescência e, no cérebro, uma indiscutível curiosidade pelo mundo, pelo moderno, pelas pessoas. Ele troca e-mails com o filho e amigos; busca sites de novidades, lê os jornais online e repassa as notícias mais interessantes à nós; procura pontos turísticos que ainda tem vontade de conhecer; e mostra, na tela, que conhece o básico para não se perder na rede.
Conto isso para lembrar como é bom este exercício de navegar pela internet, e lá estava ele, feliz, interagindo com um mundo distante daquele que encontrou na adolescência.
Com certeza, esse não será o meu mundo: na idade dele, o computador terá sido parte integrante de minha realidade por décadas e ninguém ficará surpreso ao me ver debruçada nos teclados. Mas hoje, é raro.
E, agora sim, voltando ao parágrafo inicial, foi assim que ele encontrou mais uma maneira para distrair-se na cidade grande, diminuiu a distância de nós e hoje, interage com mais pessoas. É claro que isso não apaga a necessidade do toque, da voz ao lado, mas homens como ele, que não se acomodam e procuram se recriar, são um alento e um exemplo. Sempre há tempo, me disse ele, para aprender coisas novas. Essa visita também me fez aprender algo: que a vida pode oferecer mais a quem jamais aposenta a curiosidade. Ao Cláudio, meu obrigada!