Vida cheia de destinos e desatinos
Novamente a web me traz a inspiração para esta crônica dominical: recebi o texto de uma amiga e, possivelmente não poderei dar os créditos a quem merece, mas aqui vai o início, que, aliás, é o mais impactante e nos faz pensar mal acabamos de ler: "A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: Nós somos a soma das nossas decisões”.
Mais adiante, o autor desconhecido reflete: "Compartilho do ceticismo de Allen. Somos o que escolhemos ser, o destino pouco tem a ver com isso. Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar minha vida”.
Desnecessário explicar porque parei para ler: embora óbvio, qualquer um com um mínimo de sensibilidade pára e se dá ao menos 10 segundos para refletir. Óbvio, porque volta e meia estamos culpando o destino pelas mazelas. Eu mesma, por vezes caio nesta tentação e duvido que você, seu vizinho ou sua tia não tenham reclamado uma vez sequer ao longo da vida sobre sua pobre sina.
Mas, embora acredite na sorte (quem sou eu para duvidar?), compartilho com Allen e com o autor a crença de que somos aquilo que decidimos ser sem que ninfas, fadas ou duendes interfiram no dia-a-dia de nossa vida. Aliás, a sorte só brinda quem age em favor de si, deixando de lado aquela atitude cômoda de esperar que os ventos soprem em nossa direção.
O recado, porém, é outro: para decidir é preciso entender que você é, ou como diz nosso desconhecido autor, é preciso chegar ao autoconhecimento. E isto só pode ser feito se você "ler muito, ouvir os outros, estagiarem várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos”.
Tenho investido nisso nos últimos anos: ler, ouvir e estagiar em várias tribos. Uma das minhas últimas experiências, aliás, foi uma incursão teatral: no palco e não na platéia. Busquei dentro de mim o gesto e a palavra exatos para criar um personagem cômico, o que me exigiu não apenas meses de ensaios, mas também um mergulho na minha percepção sobre o outro, à léguas das minhas preocupações rotineiras.
Saí sem nenhum Oscar (claro!), mas com uma compreensão maior da função de interpretar. E, mesmo que a experiência não se repita, esta mudança de rota, que me obrigou a enfrentar os medos de uma exposição tão frontal nos palcos, me tornou melhor, mais decidida.
Sou sim, a soma de minhas decisões: com seus erros e acertos!