Você anda comendo, mesmo sem fome?
É claro que a gente só deveria comer ao sentir fome para fazer nosso corpo funcionar. Por que será então que devoramos cinco pedaços de pizza quando dois são suficientes, completamos com três bolas de sorvete e rebatemos com litros de refrigerante? Além disso, há dias do mês em que nosso estômago parece um buraco sem fundo. A resposta, quase sempre é... ansiedade, palavrinha maligna que gera um potencial destruidor atiçado por forças físicas e psicológicas que nos fazem comer muito mais do que realmente precisamos.
Batata frita acalma. Acalma?
Pesquisas recentes descobriram novos caminhos para se começar a comer para viver e não viver para comer. Seguindo esse princípio, é possível diferenciar a fome real (quando você precisa "mesmo” de nutrientes para obter energia) e a fome superficial (desejo incontrolável de se jogar na comida só porque o prato está ali ou é hora do almoço).
Pode parecer um exagero, mas existem pessoas viciadas em engolir compulsivamente. Outras pesquisas, agora sobre a relação da dependência em drogas com a dependência em alimentos, mostram que quando mastigamos alimentos supercalóricos, como batatas fritas, bolachas, e chocolates, o cérebro cria substâncias químicas de bem-estar, com efeitos calmantes sobre o corpo. Isso explica por que em situações de estresse ou muita angústia, a caixa de chocolates desaparece quase por um passe de mágica. Além disso, o cérebro de certas pessoas não tem reações químicas suficientes para ajudá-las a relaxar. Adivinhe o que acontece? Tal qual os viciados em drogas (ou em álcool) elas passam a devorar alimentos gordurosos em busca de períodos de saciedade.
Odores excitam o apetite
A pergunta que não quer calar é por que temos esta paixão por alimentos gordurosos? Essa é fácil: o aroma das comidas gordurosas acentua o olfato e o paladar. Ao devorar aquele delicioso mil folhas, com creme e açúcar que provocam uma verdadeira lambança, os odores que chegam ao nariz são impossíveis de ignorar. Mais: atire a primeira pedra quem, perto do horário das refeições não fica enlouquecido por qualquer cheiro que escape de uma churrascaria? E o perfume de um bolo recém-saído do forno? Só para você entender melhor, lembre-se do que acontece ao ficar resfriada: o nariz fica congestionado, você mal consegue sentir o gosto dos alimentos, e o apetite diminui.
Quem come muito devora os alimentos para satisfazer um desejo, sentir um sabor agradável ou pura e simplesmente aplacar a ansiedade. Mas o efeito rebote deste delírio gastronômico é triste, a gente se sente feia... Os compulsivos se agarram ao prato como se agarrassem à vida e nunca sabem a hora do basta. Se o que estou falando aqui parece descrever alguns momentos seus, não desanime. Quando sentir novamente vontade de assaltar a geladeira, pare e pergunte: "Estou realmente com fome ou carrego comigo apenas o desejo de mergulhar num pedaço de bolo?”
Caso você esteja nervosa, angustiada ou literalmente exausta, apele para outras possibilidades. Primeiro, respire fundo, erga os braços e conte até dez... ou vinte! E aí, rapidinho, pegue a agenda, ligue para amigos que há muito não vê, leve o cachorro para dar uma volta no quarteirão, faça uma máscara facial...
Faça qualquer coisa, mas fuja da geladeira. Isso, óbvio, vai evitar que você coma pelo motivo errado. Alías, por motivo nenhum.